quinta-feira, 25 de março de 2010


Odeio.

Odeio a sensação de impotência que senti ontem.

Odeio essa sensação de insegurança que sinto agora.

Odeio não poder ter descontado toda a emoção misturada: medo imenso, impotência, insegurança, estar entregue ao acaso e não poder fazer nada, a porcaria de carros e pessoas enlouquecidas dentro deles, odeio a covardia de ter fugido da mulher que bateu na tua moto, ODEIO TUA MOTO, mas principalmente, agora, odeio não ter tido tempo de descontar, de segurar aquela puta fugitiva pelos cabelos e gritar para ela que não fosse covarde e esperasse ver se realmente você estava bem.

Ter moto, aqui, e ainda achar que dirigindo direitinho e não cometendo barbeiragem vai garantir que nada acontecerá é, no mínimo bobo, ou na melhor das hipóteses, uma flagrante ingenuidade.

No trânsito desta porra desta cidade, o seu fator de dirigir direitinho perde, perde enormente o seu valor, se comparado aos fatores que fogem ao controle: trânsito caótico, carros em excesso para vias estreitas, motoristas sem educação ou respeito aos motociclistas, verdadeiros assassinos histéricos dirigindo apressados para chegar não sei onde um milésimo de segundo menos atrasados, falta de estrutura da cidade para dar mais segurança aos motociclistas e ciclistas.

Porra! É tão simples e tão claro! Esta cidade não foi feita para se andar de moto. Os habitantes desta cidade não têm educação para tomar cuidado com quem anda de moto, por isso não têm cautela ao fazer uma manobra, eles, só são capazes de enxergar outros carros.

É tão difícil assim deixar para andar numa "mulesta" de uma moto na praia, numa trilha, de manhã bem cedo (contanto que não seja no fim de semana, pois encontrará bêbados ao volante)???

Será que a sua vida vale menos do que uma porra de uma sensação libertadora ao andar de moto? a sensação libertadora deve ser ótima, mas pode ser libertadora para todo o sempre, diretinho para a liberdade celeste!

Bastava que um ônibus viesse mais rápido e, além de você ter caído, ele teria passado por cima de você. E pegaria você lúcido. Você consegue imaginar a dor? Pois imagine! E tenha medo. O medo necessário para deixar essa merda de moto de lado nesta cidade.

Esta noite sonhei um monte de coisas desconexas, mas tudo ligado à sensação de insegurança e falta de controle sobre a situação.

Sonhei que estávamos num buggy e que você tinha bebido e mesmo assim queria dirigir.

Eu tentava impedir, pedia para você não fazer isso mas você estava irredutível e eu não tinha poder para tomar as chaves. Então eu escolhia ir com você, pois se acontecesse alguma coisa , aconteceria com nós dois, ou pelo menos como eu não havia bebido, poderia ajudá-lo.

Mais na frente paramos numa espécie de bar, cheio de gente mal encarada. Você quis entrar. Entrei atrás.

De repente estávamos numa sala, mais alta que um salão que havia em baixo. E começaram a gritar na rua que alguma coisa vinha matar todos nós.

Havia uma porta, no lugar alto em que estávamos, que dava para a rua. E com o povo gritando por socorro lá fora eu decidi abri-la, pois havia espaço para mais gente. E abri. Só que entrou na correria muita, muita gente, também velhos e crianças, todos com pânico no olhar.

E vi que não cabia mais a gente lá dentro, que seríamos esmagados. Comecei a procurar outro lugar onde poderíamos nos esconder.

E de repente estávamos de volta ao bar, que tinha um corredor imenso com alguns quartos. Todos já lotados com o povo se escondendo.

Encontrei, no final do corredor, um cubículo sem porta, que se ficássemos abraçados e imóveis poderiam passar sem nos ver. E tentei desesperadamente fazer isso. Mas você tinha bebido e me abraçava e não ficava calado, por ter bebido não conseguia enxergar a gravidade da situação.

Acordei.

E acordei indisposta, com um sensação ruim, desagradável.

Para ajudar a passar, resolvi escrever. Esta tem sido uma válvula de escape útil.

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