quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Reveillon


O dia 31 será diferente de tudo o que já vivi.

Pela primeira vez minha filha não estará comigo na virada do ano. Ela estará na mesma cidade de que eu mas, uma amiga de quem ela gosta muito a chamou para ir para um ótimo hotel para passar o final de semana com a família dela, que minha filha conhece bem e adora. Eu deixei, acho que será divertido para ela.

Minha família viajará no dia primeiro, às 10h, faz muitos anos que meus pais não viajam e irão com minha irmã. E a família de meu noivo irá para a casa de um parente dele que não queremos ir. Então, ficamos nós dois.

Viajaremos para a mesma cidade em que minha filha estará, aqui perto da nossa, e combinamos de passar o reveillon na piscina, que é aquecida, ou então passaremos na cama, fazendo amor.

É a primeira vez, em dezessete anos, e também antes disso, que vou experimentar o ano novo exclusivamente com alguém, neste caso, com o amor da minha vida.

Sei que antes de mim ele já havia feito isso, pois vi umas fotos dele com uma ex no reveillon, numa festa de rua. Sinceramente, não pareciam muito animados, mas sim e apenas com tesão. Talvez tenha sido isso que os uniu por um tempo.

E peço desculpas se mudei de tom em relação às postagens antigas, mas a postagem anterior dá o tom de como anda meu humor, se bem que hoje e até ontem acordei relativamente mais animada.

De fato, ando com muita, muita saudade da Mulher que está aprisionada. Sinto saudade de seu bom humor, de sua risada, de seu otimismo, de sua leveza.

A partir de hoje farei o impossível para trazê-la à tona, para libertá-la para substituir essa mulhezinha medíocre e chata que venho sendo.

Ontem resgatei da bagunça do meu quarto toda a literatura que comprei e não li do CCA, estava tudo escondidinho e arrumadinho, parecia me esperando que eu a encontrasse.

Hoje eu procurei e encontrei os doze livrinhos do Vigilantes do Peso.

Acredito que o dia hoje no trabalho será leve, já levei o material do CCA ontem e hoje levarei o material do Vigilantes para lá, sem dúvida alguma começarei a lê-los.

Tal qual disse meu noivo, ele, nós, e metade do universo começarão dieta no dia primeiro, nesse dia estarei ainda fora de casa. Começarei no dia universal da dieta, na segunda-feira.

Calma, não estou sendo irônica, quero isso de verdade. Tento com toda a boa vontade que possa existir em mim resgatar a serenidade que senti há um ano e pouco, quando resolvi emagrecer sem desespero, e durante esse processo reconheci o meu melhor lado, confiante, determinado e sereno.

Sobre o reveillon, estou interessada, curiosa, apaixonada (mas não sem desconfiança, que é como eu fico quando não estou bem comigo), e com muita vontade de que seja simples e delicioso.

Amém.


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

COMPULSÃO


Acabo de ler uma postagem de MARÇO em que falo da compulsão, do início do meu descontrole sobre a comida, ou do reinício do meu descontrole sobre a comida.
Nela, eu dizia:

"Preciso desesperadamente voltar a me controlar. O excesso de peso já está me modificando: minha auto-estima, minha vergonha, meu sentimento de ser desapropriada... se continuar, isso inevitavelmente prejudicará meus relacionamentos, com meu noivo, com minha filha, com meus amigos. Eu passo a sentir vergonha, me retraio, fico triste. Tudo por minha própria cobrança. Tudo por meu próprio descontrole".

Estamos em DEZEMBRO e, infelizmente, tudo o que eu escrevi em março se consolidou.
Hoje minha filha me perguntou se eu estou entrando em depressão. Respondi que achava que não. Na verdade, acho mesmo que não, ou pelo menos ainda não.
Sinto exatamente isso: tristeza, descontrole, vergonha, baixa auto-estima, o meu peso, estar gorda, mexe com tudo o que há de bom em minha vida.

Tudo o que há de bom está aqui, mas eu mudei.
Minha percepção está embaçada, eu me sinto presa dentro da minha decepção.
Perco a graça, perco a sensação de pertencer à minha vida, principalmente perco a sensação de me pertencer.
Estou assutada, sinto medo, frio, solidão. E ao mesmo tempo me isolo, me entristeço.
Passo a ser uma sobra, uma sombra da Mulher que posso ser, que gosto de ser.

As pessoas que eu amo e que me amam percebem que mudei, e eu sinto tanto! Não só por eles, mas principalmente por mim mesma. Por tudo o que estou disperdiçando, vida e tempo de vida.

Eu vou, mas sinto vergonha de encontrar alguém conhecido quando saímos.
Deixei de ir às festas em que toda a família dele estará lá.
Faço amor, sempre adorei fazer amor, mas sinto vergonha, por mais que ele me ame e me aceite, o problema está em mim, nos meus pensamentos em relação ao meu corpo gordo.
Não vou à praia.
Sentia enorme prazer em me arrumar para sair. Hoje, visto qualquer coisa que me caiba e que não me deixe tão ridícula. E mesmo assim ainda saio desconfiada.

Principalmente o que estou perdendo?
Estou perdendo a mim mesma.
Estou perdendo a minha alegria.
Estou perdendo o meu bom humor.
Estou perdendo a minha paciência.
Estou perdendo o tesão.
Estou perdendo a vontade.
Estou perdendo a mim mesma.

Hoje sou só compulsão, tal qual um parasita invasor, a compulsão está me dominando, me destruindo.
Não me reconheço, estou me perdendo.

Só eu posso me salvar. No momento, ainda estou ocupada em me destruir.
Sinto muito por quem faz parte da minha vida.
Sinto muito, muitíssimo, por mim.

Há uma Mulher linda aqui dentro. Mas, no momento, está completamente aprisionada. E eu ainda não tenho idéia de quando conseguirei resgatá-la.

domingo, 26 de dezembro de 2010

PLANOS


Tenho pensado no que mais desejo que aconteça em minha vida. Passa um pouco por balanço do ano que está acabando, por sonhos para o ano que chega, por metas, por vontades, etc.

Um colega de trabalho me perguntou se eu já tinha feito planos para 2011 e eu respondi que não. Mas agora já pensei, sim, eu tenho sonhos e vontades.

Analisei tudo o que aconteceu neste ano: a consolidação do meu relacionamento, o nosso amor forte, mesmo com as diferenças existentes; o concurso tão esperado, embora ainda não seja o ideal; a aceitação na pós graduação; o sonho de engravidar que não está sendo possível; o ano de vestibular da minha filha, etc.

Conquistei grandes objetivos, não tenho do que reclamar.

Ainda tenho outros tantos pela frente, tenho que batalhar.

O que desejo para 2011?

- Diminuir o meu peso, emagrecer, pois isso é a base para todo o restante dos meus sonhos, é a base para fortalecer a minha auto-estima.

- A partir de março, quero sim, fazer tudo o que for possível para engravidar. Quero realizar esse sonho, que pertence também ao meu amor.

E o que mais? Esses dois são os principais, fora eles, tenho apenas que me manter firme no que já estou fazendo e encarar com seriedade o retorno aos estudos para concurso.

Tudo mais o que vier é lucro extra.

Obrigada, meu bom Deus.

NATAL


Meu primeiro natal com nossas famílias reunidas.
Muito legal, é o que posso dizer. Pela primeira vez meus pais, meu irmão e minha filha passaram o natal na casa do meu noivo, sem que fossemos para o mesmo lugar em que a família da minha irmã iria. Pela primeira vez o natal girou em torno da minha família, de mim, de meu noivo e da minha filha, aconteceu em torno da família que estou formando. E isso foi delicioso.
Minha sogra preparou tudo com amizade e delicadeza e nos recebeu de braços abertos.
Foi a primeira vez que o natal girou em torno do meu relacionamento e foi uma experiência muito, muito legal.
Adoro isso de a vida trazer sempre, depois de tempestades, gratas surpresas.
Noite de natal agradável, boas companhias, comida gostosa, cordialidade, gentilezas, lembrancinhas, tudo que pode haver na comunhão do natal.
Natal Feliz.

Pre-natal pré-menstrual


Aff, peguei o período pré-natal com uma baita TPN, quase tenho um troço!
Chegava do trabalho e nem podia ir pra ginástica, tinha que ir enrolar croquetes de queijo para as encomendas da loja dos meus pais (a mesma em que trabalhava antes do concurso e que ainda trabalho aos sábados). Por causa do peso e da TPM, já chegava com os pés inchados, retenção de líquidos, dor de cabeça, irritada, e por aí vai, uma sequência de pensamentos pessimistas ajudados pelos capetas dos sintomas.
No dia da véspera do natal, trabalhando exaustivamente fazendo doces e salgados eu estava me sentindo esgotada.
E também a minha menstruação atrasou, fiquei com medo e com vontade ao mesmo tempo de estar grávida, apesar de todos os riscos. Um misto de medo e esperança.
Até fazer amor estava difícil, sentia vergonha do meu corpo, apesar de meu amor ter toda paciência do mundo.
Chorei, pirei com pensamentos pessimistas e desconexos.
Desde a morte de meu cachorro acho que havia pisado em rastro de corno. Minha vida e minha estabilidade emocional ficaram desgovernadas.
Não me reconhecia em mim mesma. Era uma tempestade de pensamentos que sequer me deixavam dormir em paz. E não vou mentir, pensei até em encosto!
Acho que havia muito, muitíssimo tempo que eu não me sentia tão ruim.
De ontem para hoje venho lutando contra isso, reorganizando pensamentos, controlando, me policiando. A menstruação também chegou, bastou eu baixar o ritmo e a ansiedade.
Sei que isso soa forte, mas minha sanidade emocional está voltando para mim, e esta sensação é reconfortante, segura e desejada há vários e vários dias.
Volto a me reconhecer, volto a ser a Mulher que na maioria do tempo está tranquila e bem humorada.
E volto a me sentir bem em mim mesma.
Que alívio!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Compulsão vence, 1X0.


Eu ia tirar a postagem anterior, tava na cara que não ia dar certo.
Segunda, esqueço o meu almoço em casa.
Consigo driblar o restaurante que tem muitas sobremesas, compro meu almoço e volto para almoçar com meus colegas no lugar de sempre.
Já acabo de almoçar pensando em doce, aliás, todo mês isso acontece no período pré-menstrual, principalmente nos 2 ou 3 dias antes. Se bem que não preciso de desculpa alguma para querer comer doce. Mas...
Almoço bonitinho, com coca zero.
Terminei, o cão sai da garrafa, como diz um ex-professor meu. Bolo, café e bolachas doces acompanham o que me foi oferecido para sobremesa.
E eu? Caio que nem uma pateta. Como quatro bolachas e um pedaço, mesmo pequeno, de bolo.
E o castigo? Acho que a culpa foi tão grande que me engasguei com o açúcar da cobertura. Tossi tanto que deu dor de cabeça.
Bem feito!
PS: Só para terminar de ser do contra, meu dia faz mais uma conspiraçãozinha contra mim. Já saí do trabalho... e o que acontece? Recebo um telefonema avisando que fui convidada para o café da manhã de outro setor, e avisam que traga um pratinho, que me esperam para comemorar!
Gente! Quê que eu vou comemorar? A minha amizade com vocês, tá. Só que toda vez que sou convidada o meu descontrole sobre a comida vai de penetra!

Compulsão e segunda-feira (primeiro dia)




Esse final de semana foi de sofrimento e de muita, muitíssima felicidade no final das contas, e só isso importa. Foi um final de semana de reencontro.
Hoje é dia de eu me encontrar, também, comigo mesma.
Será? Será que finalmente vou domar a fera e colocar a compulsão num saco?
Não aposte nisso, nem eu mesma, que sou a dona do cavalo, ou da "cavala", vou apostar nisso.
Mas quero, desejo intensamente. Eu vou apostar, não gaste o seu dinheiro. Nem eu vou gastar o meu. Como diria um tio meu que já se foi...: eu não sustento nem o que eu como, quanto mais que eu digo! Eu sei, é uma frase um tanto grosseira, mas verdadeiríssima. E se você quiser, tenho outras frases de efeito bem piores do que essa, mas uma só frase feinha e certeira de manhã cedo, em plena segunda, já está de bom tamanho.
No que eu vou apostar? Em mim. Se eu vou ganhar? A essa altura do campeonato, não sei, sinceramente não sei, mas vou batalhar.
O que está contra mim é que hoje é segunda de manhã, e essas tentativas nas segundas de manhã são universais e batidas. Tá, sei que podemos entrar pela frases de efeito moral de que cada caso é um caso, de que, sim, é muito possível dominar a gula como e quando você quiser basta ter boa vontade... Ora... essas baboseiras todas eu, e você, já conhecemos desde que ganhamos o primeiro quilo extra.
Sei que hoje é improvável, sei que quinta tem confraternização, sei que sexta tem a festa de natal e que a comilança continua final de semana adentro. Mas, hoje, estou a fim de fazer diferente. Eu, eu comigo e minha compulsão e com minha falta de garra e com meu descontrole, estou a fim de fazer diferente.
E vou tentar. Vou tentar com serenidade, sem desespero, sem pensar no todo. Se pensar no todo já terei perdido.
Eu comigo mesma, só por agora de manhã.
Durante o dia vou repensando tudo e refazendo táticas.
Se puder, você aí de fora, faça oração por mim.
Em frente.